12 agosto 2009

Apriti, cuore.

No princípio eram as cartas. Toneladas delas, cheias de páginas e
envelopes artesanais. Cheias de segredos e lamúrias, talvez na
esperança de que descobrissem que eu gostava de meninos, para que me
rejeitassem ou me acolhessem, abrindo de uma vez a porta desse
armário. Depois veio o fac-símile. Fax/telefax (também um pouco de
telex). Com ele veio o Mundo na forma de colegas de trabalho; a
paixonite aguda pelo colega de faculdade. E a esperança de que
descobrisse que eu gostava dele, para que me acolhesse ou me
rejeitasse, fechando de uma vez a janela desse peito. Finalmente
apareceu a Grande Rede. Com ela o sexo, a primeira noite na cama de um
homem, esperando que ele me descobrisse do lençol sob o qual me
escondia. Não foi daquela vez. Mas hoje estou aqui e espero pela
próxima tecnologia que possa traduzir em impulsos a verdadeira
dimensão do quanto eu te amo. Enquanto ela não vem, te digo
simplesmente: fique bem, meu amor, pois estou contigo e não abro.

3 mil comentários:

André Mans disse...

mais do que lindo: preciso.

Jens disse...

Clap! Clap! Clap! Além de lindo e preciso: corajoso.

Um abraço.

Serginho Tavares disse...

lindo, preciso e sincero