16 novembro 2009

Minha língua ficou azul

Eu me peguei pensando sobre se o próximo estágio da evolução espiritual humana seria algo sem palavras. A capacidade de falar é tida como grande responsável pela nossa evolução e eu concordo. Transmitimos idéias, ensinamantos, conhecimento. Estabelecemos conceitos inteligíveis entre cada um e nos comunicamos.

Daí vêm a limitação. Nossa linguagem é pobre porque limitadora. Temos a mania de querer encerrar em uma palavra (ou poucas) todo um conceito. "Verde". Basta olhar pra uma floresta pra saber que "verde" (mesmo se incluirmos "claro", "escuro", "acizentado") não descreve todas as nuances da cor, alterdadas ainda mais pela incidência (ou falta) de luz sobre as folhagens. Não descreve o sentimento ou as lembranças que a cor te evoca, quando você pequeno descobriu maravilhado aquela caneta marca-texto de tinta fluorescente.

Sem contar que ainda que você conseguisse colocar tudo em palavras, ainda teria que passar pelo "filtro" da outra pessoa. Alguém que não teve as mesmas experiências que você, que não sentiu e que não viu o que você viveu.  Nem vou passar pelo "conceito" de "preconceito". Todo mundo já sabe os problemas que advêm disso.

Então eu me peguei pensando sobre se o próximo estágio da evolução espiritual humana seria algo sem palavras. A capacidade de transmitirmos o que queremos comunicar de uma maneira plena, sem limitação por parte de quem "fala" e sem filtro por parte de quem "escuta". Não mera telepatia, mas uma total transferência de tudo o que sentimos e vivemos por conta daquele "verde". Tãopouco uma rede neural borg, onde todos estão permanentemente interligados – privacidade é importante.

Não sei se é isso a evolução. Mas deve ser por aí. E o post de hoje foi "patrocinado" pelo programa que eu vi sobre como decifraram a linguaguem escrita dos Maias.

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Fim-de-semana teve torcicolo. Muito calor no parque, cafezinho com as meninas (mamãe fez comida e sobremesa pra eu trazer pra casa), noites mal dormidas (calor... torcicolo... alarmes... chuva...) e blueberries. Nada que poucas palavras dêem conta, mas passam a idéia geral da coisa!

4 mil comentários:

Jens disse...

Oi Edu.
Como me encontro num estágio superior da evolução humana, permito-me fazer um comentário sucinto: sem palavras.

Um abraço.

Jens disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FOXX disse...

eu li o texto todo lembrando daquele pirulito que deixava a lingua azul

Serginho Tavares disse...

e quando terei a honra de entrevistar você?