03 setembro 2009

Quando a Lua beija Júpiter

Adoramos cuidar uns dos outros. Fazemos tudo pela pessoa amada. Nos
interessa seu bem estar físico, mental, emocional, até financeiro.

Adoramos cuidar uns dos outros. Saber que raios é aquele "nhec-nhec"
no quarto do vizinho. A que horas (e com quem) ele se deita e se
levanta. Até o que revela seu lixo.

Adoramos cuidar uns dos outros. Dar dicas aos amigos. Conselhos
profundos existenciais ou tão somente um bom filme na tv. Incentivamos
até a auto-medicação através de nossas próprias experiências
farmacológicas. Ou, mais conscientes, insistimos que procurem um
médico ou apresentamos um pai-de-santo porreta.

O que nos falta é cuidarmos mais de nós mesmos. Procurarmos os nossos
próprios médicos, psicólogos, médiuns quando sentimos qualquer coisa.
Dedicarmos uns minutos de silêncio para conversarmos com nossos
próprios botões e buscarmos a nossa própria felicidade (individual).

Então vamos deixar de ser idiotas? Vamos pensar um pouco mais na nossa
própria saúde? Vamos marcar uma consulta qualquer pra gastar um pouco
do dinheiro que entregamos ao maldito convênio? E que tal pararmos com
as picuinhas, ciúmes, arrogâncias, burrices e nervosismos baratos?
Nada disso leva a uma felicidade real. Que tal contarmos até 20 antes
de criticar alguém e aceitarmos sem retrucar uma crítica - construtiva
- que nos façam? Silêncio! Escutemos! Não tentemos nos justificar (e
muito menos contra-atacar). Meditemos e corrijamos o que estiver
errado, se estiver errado. Vamos nos interessar pelo que é nosso,
indivudual, e a partir disso estender nosso cuidado daquele tipo
melhor intencionado ao amigo, amante, vizinho, condomínio, cidade...

Zen demais? Auto-ajuda ao extremo? Acho que funciona pra mim. Por que
você não tenta?

===

Isso é um esboço de (mais um) email pra tentar acalmar alguns ânimos
lá na Villa. Originalmente a idéia era por conta da Marquesa de Santos
que forçou o Bichinho a correr pro hospital quando não sabia estar
tendo um AVC mas que passa dias com sintomas de gripe e não vai ver se
é suína. Também pelo amigo do post de ontem, que prefere continuar
casado a enfrentar uma nova aventura na vida (pode dar com os burros
n'água, eu lhe falei, mas pelo menos tentou!). Porra, serve até pra
mim, que pra marcar uma consulta levo meses... A gente é muito besta,
perdemos tempo precioso... O que você fez por você mesmo hoje?

Parabéns, João, por arriscar amar alguém que mora em outras terras.
Parabéns, José, por voltar a colocar seus sentimentos em livro - e de
quebra reverter a renda pra outros. Os recebi ontem e agradeço.
Parabéns, você, que não vai levar nada do que eu escrevi a sério mas
vai criar seu próprio caminho.

2 mil comentários:

João Roque disse...

Confesso que este texto me confundiu um pouco, não porque seja difícil de compreender, ou porque seja opositor do que ele transmita; apenas porque o li numa altura menos boa, em que ainda ressoam por mim palavras que me provocaram uma imensa mágoa pessoal (em termos familiares) e que me foram transmitidas há pouco.
E sendo eu, convictamente um defensor da unidade familiar, perante certos factos, questiono-me se não valerá a pena. como tu dizes tratar da nossa felicidade pessoal e sermos um pouco mais "saudavelmente egoístas".
Se o João de que falas, sou eu, e penso que sim, é correcta a exemplificação: segui o meu próprio caminho e só a mim devo pedir explicações do bom ou mau que essa atitude causou...
E claro que levo muito a sério o que tu escreveste...
Abraço muito forte.

DO disse...

Acho que um texto já cumpre seu papel se ajuda alguém,EDU. Este é otimo e pode não servir a todos neste momento,mas certamente,um dia...

Abraços!