Em 2001 eu morei na Dinamarca. Longe da capital, minha cidade tinha 4km quadrados se tanto. Eu tinha uma amiga lá – ela e o marido fizeram de tudo pra me integrar e até dividimos a compra de uma bicicleta, que ficou comigo até meu retorno pro Brasil, quando a passei para o marido. Também um outro amigo que volta e meia aparecia pra conversar. No trabalho o pessoal era bacana embora bem mais calado que por aqui. Por trabalharmos até 16h, não havia muito tempo pra conversa – todo mundo focado no trabalho - e até o almoço era de apenas 30 minutos. Não fiquei deprimido – era verão – mas a vida melhorou quando consegui um PC velho e uma banda larga meia boca em casa. E a internet veio pra ajudar E MUITO a acabar com a solidão. Duro era esperar o pessoal daqui acordar (5 horas de diferença). Sei me virar sozinho. Se tenho preguiça de limpar a casa, por outro lado não sou muito bagunceiro. Gosto de fazer compras no supermercado (ontem mesmo descobrimos umas bolachinhas "inéditas" e resgatamos a Negresco, pra suprir a falta de Monstrinho Creck, de um passado muito distante). Mas não nasci para ser ilha e não vejo uma vida completa sem beijo na boca. Por isso quando o amigo que é casado mas não trepa fica triste, o melhor conselho que posso dar além de sugerir a separação é musculação ou aula de dança (com a patroa?) – nem amante ele pode ter porque ela já descobriu a última pataquada toda. Ginástica libera endorfinas, dizem, e talvez isso ajude o humor do bicho. Mas eu sei que sem um beijo e um cafuné a vida perde cor.
Primo internou-se de vez. Médicos dizem que já não volta pra casa. Tomara que meu tio-padrinho, pai dele, o receba junto com meu tio-irmão. Sinto pela família, que perde seus dois homens, e ainda jovens, para a mesma doença. Sinto pela filhinha, que perde um pai pra lá de companheiro, brincalhão, divertido. Mas, para ele, espero apenas que o sofrimento seja breve e que encontre a Alegria onde quer que vá. De repente o Michael Jackson dá uma canja, vai saber?
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4 mil comentários:
Gostei muito deste teu texto e em qualquer dos dois temas que focas.
Beijo.
"Não vejo uma vida completa sem beijo na boca."
Porra, bonito pra caramba!
Um abraço.
Oi, lindo,
Você é novinho ainda.Com o tempo a gente aprende que só o beijo na boca é pouco.Há tanto!!!!
Beijo.Na boca.
Claro que sem beijo na boca tudo fica muito cinza,mas o que eu quero dizer é sobre a partida do seu primo.
Idéia que anda rondando demais na minha cabeça ultimamente.Fogo conviver com isto.
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